VOCÊ QUER UM EMPREGO?

VOCÊ QUER UM EMPREGO?

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL GAZETA DO POVO EM 30.12.2006

 

VOCÊ QUER UM EMPREGO?

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

É fato que os empregos formais estão diminuindo, mas é exagero imaginar que eles vão desaparecer.

Há uma tendência para o aumento do espaço para profissionais liberais, microempresários, consultores e autônomos bem como uma tendência para a diminuição das vagas para as pessoas que trabalham como empregados, seja com carteira assinada ou não. Isto, porém não significa, de forma alguma, o fim do emprego. Profissionais continuarão sendo contratados por pequenas, médias e grandes organizações.

Ora, e então? Como arrumar um emprego?

Vamos a algumas idéias que podem contribuir.

 

1. NETWORK – Isto significa fazer contatos, conhecer pessoas, conversar com elas, saber seus nomes, saber o que elas fazem e, é lógico, fazer com que elas se lembrem do seu nome e do que você faz ou gostaria de fazer.

Aí tropeçamos em um pequeno problema: timidez. Ora, tímidos tendem a demorar mais tempo para conseguir empregos; eles conhecem poucas pessoas, conversam pouco, às vezes até sabem muito, mas não parecem saber por que não abrem a boca. Não adianta ser bom, se você não parece bom. Ninguém vai contratá-lo.

Ao final de uma de minhas palestras, uma moça me procurou e disse que já estava há três anos em Curitiba e que não arrumava emprego. Eu sugeri a ela o mesmo que sugiro a você, ou seja, network!

Converse com as pessoas, cumprimente-as. Pare na rua para apertar a mão daquela pessoa que você conhece apenas de vista e cujo nome nem se recorda. Dê a ela seu cartão. Sim, você pode, e até deve, ter um cartão com seu nome e telefone, mesmo que não esteja trabalhando.

Elogie a roupa da pessoa, se a achou bonita. Quantas pessoas acham algo bonito e não falam. Perderam uma oportunidade de estreitar relações. Naturalmente só faça elogios se eles forem sinceros.

Pessoas são contratadas por pessoas e embora existam sofisticados processos seletivos, a confiança e comprometimento entre os indivíduos continuam desempenhando um papel importantíssimo na contratação de profissionais.

Quem tem uma grande rede de relacionamentos é mais rapidamente empregado.

Quanto à timidez há um antídoto eficaz. É um pouco doloroso, mas extremamente eficaz.

Qual é?

Gradativamente enfrentar aquilo que o intimida.

Você tem dificuldade de falar com as pessoas? Pois então, é exatamente isto que você tem que fazer!

–          Ah e seu eu gaguejar? – alguns pensarão.

E daí? Pois que gagueje! Faz parte do treinamento emocional.

Você pode até gaguejar nas primeiras vezes que conversar com um desconhecido ou quase desconhecido. Com o tempo você se torna um “cara de pau” no bom sentido, ou seja, uma pessoa articulada, capaz de conversar com quase qualquer tipo de pessoa, em quase qualquer tipo de situação.

– Ah, mas eu não sei o que dizer! – você pode pensar.

Fale qualquer coisa! Fale sobre o tempo! Serve! O importante é abrir a boca. Com o tempo e a experiência você aumenta a repertório. Mas é preciso falar com as pessoas, ser conhecido, fazer network!

 

2. PREPARO – Antes que alguém me entenda errado, não há mágica. Se você não tem nada na cabeça, não existe network que dê conta. Naturalmente você necessita capacitar-se, estudar, fazer cursos, dedicar-se a estes cursos, aprender. Você precisa ter algo a oferecer. Uma ótima dica é ler. Leia! A leitura transforma, fortalece e prepara. Constrói empregabilidade.

 

3. HABILIDADE PARA RECUAR – Comandantes teimosos que se recusam a recuar têm seus exércitos cercados e destruídos. Saber humildemente recuar é uma arte. Vale lembrar que ser humilde não é humilhar-se. Pelo contrário, humildade é sinal de grandeza e de sabedoria.

Se ainda não apareceu aquele emprego que você queria, fique com este que te ofereceram, por enquanto. Nenhum trabalho é indigno. E lembre-se que o
Universo é concentrador. Trabalho atrai trabalho. Recuar estrategicamente pode ser essencial para o sucesso.

 

4. AUTOESTIMA – É preciso acreditar em você mesmo. Será difícil convencer alguém a contratá-lo, se você mesmo não se contrataria.

Prepare-se e confie em si mesmo. Todas as pessoas têm muito a oferecer se estiverem engajadas, envolvidas e comprometidas. As qualidades que você ainda não possui, pode desenvolver. O mais importante é a boa vontade e a disposição para fazer, realizar, ajudar, contribuir. As empresas valorizam muito a atitude de boa vontade.

Leia livros de autoajuda. Muitos deles trazem importantes mensagens sobre autoestima e coragem. Não se importe com o preconceito de algumas pessoas sobre os livros desta área. Há excelentes obras disponíveis no mercado.

 

5. INABALÁVEL PERSISTÊNCIA – Há um provérbio japonês que diz: “Cair sete vezes. Erguer-se oito!” Uma mensagem que reflete a persistência e determinação deste povo. Você vai ouvir muitos “nãos”, mas é o único jeito de ouvir um sim. Nenhum garimpeiro espera ver ouro antes de ver muita lama. A vida é assim. Coragem! Faz parte do jogo! Se persistir, você vai conseguir alcançar o que busca!

 

Amigo leitor, se o que você quer em 2007 é um emprego, releia o artigo e mãos à obra! Um futuro de sucesso o aguarda!

Feliz Ano Novo!

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br

 

 

UM LIVRO TRANSFORMA A VIDA

UM LIVRO TRANSFORMA A VIDA

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL GAZETA DO POVO EM 20.05.2009

 

UM LIVRO TRANSFORMA A VIDA

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

O livro é um objeto mágico, sempre disposto a dialogar com você no momento em que você o abre e que respeitosamente silencia no momento em que você o fecha. O livro conduz a um diálogo entre você e o autor e de você com você mesmo. Ele leva à reflexão e a um aprofundamento do pensamento, retirando-nos temporariamente do entorpecimento que o cotidiano pode impor.

Ainda se lê pouco em nosso país. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2007 pelo Ibope Inteligência, a nossa média de leitura é de 4,7 livros por ano para cada habitante. Deste total de 4,7 livros, 3,4 são indicados pelas escolas freqüentadas por 60 milhões de brasileiros e apenas 1,3 são lidos sem indicação da escola. Ou seja, nossos compatriotas quando estão na escola raramente leem algo não solicitado pela instituição e muitos deles, ao sair da escola, simplesmente param de ler.

Isto significa que muitos brasileiros, na verdade milhões, atravessam anos, às vezes toda uma vida, sem nada ler a não ser bulas de remédios ou alguma notícia sensacionalista na Internet.

Lamentavelmente algumas pessoas com este padrão são políticos em altos cargos.

É preciso mudar isto.

Se quisermos uma plena democracia, precisaremos ler mais. Afinal democracia pressupõe escolha e escolha consciente depende de conhecimento. Sem conhecimento haveremos de escolher sempre de modo muito precário.

Não há substituto eficaz para a leitura. Aquilo que alguns chamam de “escola da vida”, ou seja, as experiências acumuladas ao longo da existência, é de valor inestimável, mas de modo algum substituirá a leitura e de modo algum será  suficiente nem para governar nem para votar.

No mundo crescentemente complexo em que vivemos, a leitura é indispensável para o viver bem. Ela é um caminho para o crescimento das pessoas e da nação; para a qualidade de vida e para a justiça social.

O hábito de ler é desenvolvido como qualquer outro, ou seja, por repetição. Isto pode ser feito com a ajuda da escola, da família ou sozinho e em qualquer idade.

Quase todos os livros que eu li me tornaram melhor e alguns deles transformaram profundamente a minha vida. Digo, sem hesitação, que a leitura foi decisiva para os resultados que alcancei.

“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem” escreveu o poeta Mario Quintana.

Cada um de nós pode contribuir para um Brasil que lê mais, que sabe mais, que vota melhor e que vive melhor.

Evidentemente o primeiro passo é o compromisso com a sua própria leitura. Leia e leia publicamente para sensibilizar as pessoas através do mágico poder do exemplo. Não saia de casa sem um livro. Leia na fila do banco, no ponto de ônibus, no ônibus, na praia ou em qualquer outro lugar, mas leia! Se não gostar do primeiro livro que escolher, pegue outro, mas leia!

Por favor, não use ou acredite nas desculpas de que os livros são caros, ou de que não se tem tempo. Não passam de desculpas e você sabe disto.

Existem livros baratos, sebos, bibliotecas públicas e pessoas dispostas a emprestar. Quanto ao tempo, sempre teremos tempo para aquilo que julgamos importante.

Portanto, amigo, arregace as mangas e leia! Temos todo um país a construir e como nos disse outro grande brasileiro, Monteiro Lobato “Um país se constrói com homens e livros.”

Amigo leitor, parabéns por ter lido este artigo e continue lendo, pois a leitura transforma.

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br

 

TRABALHO E RESPONSABILIDADE

TRABALHO E RESPONSABILIDADE

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL GAZETA DO POVO EM 18.03.2008

 

TRABALHO E RESPONSABILIDADE

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

Há duas posições extremas em relação ao trabalho. De um lado, temos o preguiçoso contumaz, que acha que o mundo é um parque de diversões; de outro, temos o viciado em trabalho ou workaholic, como dizem os norte-americanos.

Ora, nenhuma das duas posições é positiva. O preguiçoso é um inútil não serve para nada e representa um peso para os demais. Pode até ser simpático, o que é muito bom, mas continua sendo um peso.

O viciado em trabalho, por outro lado, é uma figura interessantíssima. Ele é uma lâmpada de 110 volts ligada em 220, ou seja, brilha muito, mas queima logo. Acaba morrendo de infarto cedo e, antes de partir, compromete, por repetida ausência, a relação com a família. É preciso encontrar o equilíbrio.

Vale lembrar, porém, que este equilíbrio aponta mais na direção do trabalho que do descanso. Não queremos pessoas viciadas, mas é preciso trabalhar sim e trabalhar muito.

Os workaholics não me preocupam tanto. Eles são poucos. Já quanto aos preguiçosos a situação é gravíssima. Estão por toda a parte e infelizmente, alguns deles ocupam posições importantes na política. Até porque no Brasil “simpatia” ainda rende mais votos que trabalho.

Alguns de nossos “lideres” são exemplos de indolência e descaso com o sagrado valor do trabalho.

É preciso resgatar o valor trabalho numa sociedade em que não raramente as pessoas dizem querer ganhar na loteria e nunca mais labutar. É uma ingenuidade muito grande. Feliz e inútil são condições mutuamente excludentes. Ser útil é condição necessária ao equilíbrio e à felicidade.

Trabalho é, antes de mais nada, oportunidade. Oportunidade de crescimento pessoal. Oportunidade de servir ao seu irmão. Oportunidade de evoluir!

O que quer que você faça, faça-o com dedicação, responsabilidade e alegria. Faça bem feito! E se você não gostar de sua atividade profissional, pode aprender a gostar dela ou então mudar de atividade. Salvo exceções, ambos são possíveis.

Não se economize tanto! Você não se desgasta pela atividade como ocorre com um automóvel. Somos muito mais que máquinas! Na realidade, quanto mais trabalhamos, melhores nos tornamos.

Evidentemente se você estiver exausto precisa de repouso, mas há muita gente, por aí, querendo descansar antes de cansar-se. O nome disto é preguiça e trata-se de um dos caminhos mais rápidos para a infelicidade.

O trabalho não é apenas um meio de atender nossas necessidades financeiras, ele é acima de tudo um dever moral.

Em um mundo em que tantos precisam de ajuda, é nosso dever trabalhar, gerar riquezas, criar oportunidades e promover desenvolvimento.

Não tenha qualquer preocupação em não ser recompensado. O Universo é coerente e todos aqueles que com seriedade trabalham, recebem o seu prêmio.

A recompensa nem sempre virá tão rápido quanto gostaríamos, e nem sempre virá do lugar, pessoa ou empresa de que a esperávamos, mas inevitavelmente virá. Portanto não se economize e faça a sua parte. Trabalhe com alegria e dedicação, ajudando a resgatar e fortalecer uma cultura de valorização do trabalho, porque é disto que precisamos!

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br

ORDEM EM CASA E NA CABEÇA

ORDEM EM CASA E NA CABEÇA

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL GAZETA DO POVO EM  27.10.2004

 

ORDEM EM CASA E NA CABEÇA

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

Organização é um princípio da mente inteligente. Aquele que diz que prefere as coisas bagunçadas ou está mentindo ou não se conhece, e embora existam eventuais excessos (vide burocracia) a maior parte das pessoas e empresas peca não pelo excesso, mas pela falta de organização.

Os japoneses difundiram pelo mundo uma cultura rigorosa de ordem com o programa 5s, assim denominado em função das 5 palavras em japonês que resumem a proposta, todas iniciando com a letra “s”. As palavras e sua tradução aproximada são: seiri (descartar), seiton (organizar), seiso (limpar), seiketsu (padronizar) e shitsuke (autodisciplina).

A despeito do sucesso do 5s há, ainda, um longo caminho a percorrer no que diz respeito à organização em instituições e também em nossas casas.

Por vezes, as mesmas pessoas que tão zelosamente implantam e monitoram programas de 5s em suas empresas, ignoram boa parte destes extraordinários valores em suas próprias residências.

Ora, idéias como: “Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.” são tão úteis nos negócios como no lar.

Mas organização é assim tão importante?

Sim! Com certeza é!

Muitas vezes será o fator decisivo para o sucesso, e exemplos disto não faltam, seja em nossa história militar, no mundo dos negócios ou até em nossas relações pessoais.

É claro que existem desequilíbrios quanto à atividade de organizar. Há casos de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), por exemplo, que envolvem a necessidade desmedida de arrumar e limpar. Há, ainda, outras situações em que a organização levada ao extremo se transforma em empecilho. Não é disto que estamos falando. Refiro-me à organização em um nível em que ela represente um auxílio e não o oposto.

Algo importante a considerar quando falamos no assunto é o fato de que nossos cérebros estão o tempo todo em comunicação com o ambiente, e que este ambiente, em maior ou menor grau, afeta nosso estado mental e emocional.

Quando vivemos ou trabalhamos em ambientes sujos e desorganizados, parte desta desordem se transfere para nossas mentes. Do mesmo modo, ambientes limpos e organizados, contribuem para o estado de organização e equilíbrio de nossos pensamentos.

Não estou sugerindo que você vá enlouquecer ao adentrar um lugar desorganizado, mas a depender de sua suscetibilidade, isto pode afetar sua capacidade de organizar as idéias.

Além dos benefícios óbvios de um ambiente limpo e organizado, devemos tomar em consideração o efeito que isto tem sobre nosso estado mental e capacidade de trabalho.

Ainda mais importante é o efeito equilibrador que, envolver-se diretamente em tarefas de organização e limpeza, produz. Executar este tipo de tarefa tem um poderoso efeito sobre o cérebro.

Algo há muito tempo compreendido pelos psicólogos da NASA (agência espacial norte americana) e da RKA (agência espacial russa), é que astronauta ocupado é astronauta feliz.

Em longos períodos de permanência no espaço, o risco de depressão é alto e a maneira mais eficaz de preveni-la é manter o astronauta ocupado. Boa parte dos afazeres das tripulações envolve tarefas de organização.

Não desperdice oportunidades de organizar, sobretudo, quando se sentir confuso e com os pensamentos desordenados.

Ao arrumar uma gaveta, seus arquivos no computador ou o seu quarto, além de ficar mais fácil de encontrar as coisas de que necessita, você se beneficiará do efeito de reequilibração proporcionado por este tipo de atividade.

Existe, ainda, preconceito em relação a isto e algumas pessoas se sentiriam diminuídas ao serem vistas realizando tarefas de arrumação ou limpeza. Trata-se, como eu já disse, de um preconceito, e que deve ser superado.

Limpar e organizar são tarefas por natureza nobres, e mais do que isto são uma oportunidade de equilibrar nossas mentes, tornando-nos mais eficientes e nos aproximando do sucesso que todos buscamos.

Portanto, amigo leitor, sempre que dispuser de tempo (e o tempo somos nós que fazemos) dê uma olhada em volta e encontre algo para organizar ou limpar. Normalmente não será preciso procurar muito. Bom trabalho e sucesso!

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br

 

 

O PROFESSOR É REFERÊNCIA

O PROFESSOR É REFERÊNCIA

ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA IMPRESSÃO PEDAGÓGICA MARÇO DE 2007

 

O PROFESSOR É REFERÊNCIA

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

A despeito das profundas modificações por que vem passando a sociedade, algumas coisas não mudaram e dificilmente se modificarão.

Como regra geral, a primeira referência ou modelo de conduta para crianças e jovens são os pais e a segunda, os professores. Naturalmente há exceções, mas pais e mestres continuam exercendo enorme influência sobre os valores e conduta futura de seus filhos e alunos.

Em muitos casos, o professor passa a ser a referência número um, sobretudo, para a crescente categoria dos alunos “órfãos de pais vivos”, ou seja, aqueles que têm pais extremamente ausentes.

Estes pais fornecem a seus filhos meios para sobreviver, mas nenhuma ou quase nenhuma atenção.

Diante de tudo isto, o professor deve dar especial atenção à imagem que passa de si mesmo para os estudantes.

Os alunos estão muito mais atentos às palavras, gestos, comportamentos e aparência dos professores do que se possa imaginar a princípio.

Eles nos avaliam e julgam todo o tempo e poderão nos tomar como modelos positivos ou negativos.

Há professores que lêem muito, mas não levam à escola qualquer livro ou periódico que não tenha relação direta com as atividades curriculares.

Conseqüência?

O aluno não tem bola de cristal. Se ele nunca o viu lendo, vai subentender que você não lê.

Professores podem e devem fazer marketing dos valores e comportamentos que eles mesmos defendem. Assim, se queremos que nossos alunos leiam é necessário aparecer na escola com os livros que lemos. Ações como estas muitas vezes dispensam discursos. O exemplo é o instrumento de comunicação mais poderoso do Universo.

Vamos, então, a algumas sugestões simples para fortalecer uma imagem positiva do professor.

A. PONTUALIDADE. Rigor quanto aos horários de início e término das atividades escolares significa respeito para com os alunos e também preparação para um mercado de trabalho onde os cronicamente atrasados têm menos oportunidades. É de fundamental importância que as atividades iniciem e terminem nos horários previstos. É preciso vencer a anticultura que diz que cinco minutos de atraso não têm importância. Têm sim! Pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

B. PONTUALIDADE II. É incoerente cobrar dos alunos o cumprimento de prazos, se o professor não os cumpre. É imperativo que o professor honre os prazos estabelecidos pela escola ou por ele mesmo para a entrega de provas, por exemplo. Faça o que for preciso para que isto aconteça, porque se assim não o for, além do devastador impacto sobre a sua imagem, você estará dando um péssimo exemplo.

C. APRESENTAÇÃO. Naturalmente o que as pessoas são é muito mais importante do que como elas se parecem, mas seria um radicalismo dizer que a apresentação pessoal não tem importância.

Hoje, existe muita flexibilidade quanto à maneira de um professor ou professora se vestir, mas algumas coisas não mudaram.

Você até pode pisar na lama a caminho da escola, mas não custa nada limpar o sapato antes de entrar em sala.

D. APAGUE O QUADRO. Se outro professor for usar a sala depois de você, apague o quadro ante de sair. Não importa se seus colegas não o fazem.
Um erro não justifica outro. Você o fará e dará exemplo. Lembre-se que os alunos estão observando você e fazendo seus julgamentos, mesmo que eles jamais se pronunciem a respeito.

E. MOSTRE QUE VOCÊ LÊ E ESTUDA. Como eu já havia mencionado, leve com você os livros, revistas e jornais que lê para a escola, de modo que os alunos os vejam. Converse com eles sobre o que tem lido, independente de você ser professor de língua portuguesa ou não. Comente diante de todos cada vez que algum aluno estiver lendo algo que não seja um trabalho da escola.  Assim você os estará incentivando a fazer o mesmo.

F. ATENÇÃO PARA O VOCABULÁRIO. Em certa ocasião, eu disse a meus alunos que a infraestrutura de informática de determinado órgão público estava sub-dimensionada. Parte deles não entendeu, então eu traduzi para “o bagulho não dá conta”. Melhor assim, não é? Afinal todos entendem.

Claro que não!

Nenhuma empresa lúcida dá emprego para alguém que se expresse dizendo que “o bagulho não dá conta”.

É preciso elevar o nível do vocabulário desta garotada. Traduza cada palavra ou expressão mais difícil que usar, mas construa e sustente um vocabulário elegante e sofisticado, importante instrumento para o sucesso no complexo mundo em que vivemos.

Amigo professor, estas idéias podem parecer muito simples ou até óbvias, mas não há um de nós que não possa gerenciar melhor cada uma destas questões. Assim, caro educador, não subestime o efeito que a sua conduta possa ter sobre o comportamento futuro da pessoa mais importante da escola: o senhor aluno.

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA , TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR.  conexao.consult@terra.com.br

 

NA HORA CERTA!

NA HORA CERTA!

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL GAZETA DO POVO EM 26.02.2010 e 18.05.2010

 

NA HORA CERTA!

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

“Desculpe o atraso!”

Você já ouviu isto antes?

Claro que já, e normalmente acompanhado de um sorriso amarelo ou da mais absoluta cara de pau, como no caso dos atrasados contumazes.

As justificativas são variadas e vão do trânsito à dor de dente do filho. Verdadeiras ou não, a realidade é que não passam desculpas.

Cumprir prazos e horários nunca foi fácil. Requer esforço e disciplina.

Mas é possível e vale a pena.

O rigoroso cumprimento dos limites de tempo é um importante diferencial profissional e um fator que adiciona qualidade à vida.

Mais do que isto, honrar hora e data é uma manifestação de respeito para com aqueles que dependem de você para uma reunião, consulta médica ou passeio.

Já tive o desprazer de assistir a uma criança de quatro anos angustiada e dizendo: – Tá na hora da escola, pai! – a resposta foi: – Relaxa, fulaninho, não tem problema chegar dez minutos atrasado.

Este pai presta um enorme desserviço ao menino e à sociedade ao programar a mente de seu filho para um padrão crônico de atraso. O garoto pagará caro por isto no futuro.

Pontualidade pode vir a ser um aspecto forte de nossa cultura e isto depende essencialmente de você. O exemplo sensibiliza para a mudança.

Ao perceber sua pontualidade, seu colaborador, cônjuge ou filho começará a pensar em um novo padrão de conduta.

A esta altura, o cronicamente atrasado lendo este artigo, já começou a se justificar dizendo que nem sempre será possível cumprir horários.

Todos nós sabemos que imprevistos surgem. Acontece que, com disciplina, os atrasos serão exceção e não algo comum.

Trabalhei por onze anos em uma mesma empresa e nunca me atrasei. Já apresentei mais de seiscentas palestras e cursos e me atrasei uma vez, em sete minutos, por falha mecânica no veículo.

Sou uma pessoa diferente?

Não!

Mas disciplinadamente faço uso de uma técnica de gestão do tempo que pode mudar sua vida.

Que técnica é esta?

Simples!

Margens de segurança temporal!

Isto mesmo! Saia cedo de casa! Saia com bastante antecedência para os seus compromissos!

Algumas pessoas argumentarão: “Isto é má gestão de tempo, afinal você poderia ficar em casa fazendo outras coisas e sair no horário limite. Além do mais, se chegar muito cedo, não terá o que fazer em seu destino.”

Simples! Leve um livro, jornal ou revista!

Ler é excelente aplicação de tempo. Eu não saio de casa sem algo para ler.

O péssimo hábito do horário limite é uma armadilha e uma ilusão. Ele funcionará, se nada de diferente acontecer no caminho e o que não se verifica em muitas das vezes, ou seja, você vai se atrasar com razoável frequência.

Isto é constrangedor para você e injusto com aqueles que o aguardam.

Uma das maneiras de educar as pessoas neste sentido é ser muito firme com quem se atrasa. Não permita a entrada de atrasados na reunião e vá embora do local de encontro quando chegar o horário limite.

Este tipo de atitude produz estresse e você provavelmente será chamado de radical, mas os resultados aparecem, se pagarmos o preço inicial.

Naturalmente este rigor não fará sentido se não for, você mesmo, um exemplo de pontualidade. A primeira pessoa a educar somos nós mesmos.

O trânsito é ruim para todos e cada um tem desafios a enfrentar, a diferença é que alguns cumprem horários e outros não.

Desculpas não resolvem problemas, não produzem dinheiro e não enchem a barriga de ninguém. Com um pouco de inteligência e criatividade, posso “justificar” quase qualquer coisa, o que não me autoriza ao atraso.

Seu cliente, chefe ou esposa, não quer explicações, quer resultados. Esteja lá no horário e não vai precisar explicar nada.

Volto a repetir amigo, que eu sei e sei por experiência própria, que o hábito da pontualidade não é fácil, mas é possível e vale a pena.

Pense nisto e ajude a construir um novo Brasil que chega na hora certa!

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA , TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR  conexao.consult@terra.com.br

HERÓIS ANÔNIMOS

HERÓIS ANÔNIMOS

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL INDÚSTRIA & COMÉRCIO EM 27.02.2003

 

 

HERÓIS ANÔNIMOS

Alan Schlup Sant’Anna

 

Roupas verdes e aquele “X “ fosforescente nas costas e peito, um caminhão barulhento e não muito perfumado , homens correndo.

É impressionante o que esta gente faz!

Há poucos dias eu estava em meu automóvel a caminho da casa de meus pais preso no trânsito pesado da Rua Coronel Dulcídio no bairro do Batel em torno das 19 horas. Bem à minha frente, na fila da esquerda, um enorme caminhão de lixo.

Eu poderia ter trocado de fila, mas preferi ficar observando o trabalho da tripulação daquela máquina. É impressionante a habilidade, rapidez e eficiência dos homens que vão atrás do caminhão, três ao todo.

Demonstram excelente condição física e realizam a coleta do que não queremos com grande agilidade.

No trecho de duas quadras, em que eu os acompanhei, eles recolheram cerca de 10 grandes latões de lixo, do tipo usado por condomínios, sem nada derrubar ao chão. Chamou-me a atenção a velocidade com que erguiam, carregavam, esvaziavam e então devolviam um latão daquele tamanho, cheio de lixo, correndo no meio do trânsito e disparando atrás do caminhão que acelera, sempre que um deles dá um grito estridente.

Digo, sem hesitação, que a maioria dos profissionais que conheci, não faz seu trabalho tão bem feito, quanto estes fazem o seu. Eles trabalham com destreza, eficiência e dedicação, muitas vezes sob chuva, frio ou sol intenso. Lembremos, ainda, que limpar é uma tarefa, por natureza nobre.

Não caberia então, um pouco mais de atenção desta sociedade para com estes heróis anônimos, que tarde da noite ou pela madrugada lutam para que aquilo que dispensamos, não esteja lá pela manhã?

Um agradecimento, uma homenagem, um tapinha nas costas e até uma gorjeta, vão muito bem. Muitas pessoas jamais cumprimentaram um lixeiro ou gari, mesmo passando a 30 centímetros de um deles.

Amigo leitor, eu já vi pessoas de muitas profissões trabalhando mal. Mas confesso que nunca vi um lixeiro fazendo corpo mole. Essa gente trabalha!

Quero deixar aqui, o meu muito obrigado a estes heróis!

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexao.consult@terra.com.br

GENTILEZA EM ALTA

GENTILEZA EM ALTA

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O ESTADO DO PARANÁ EM 15.08.2004

 

GENTILEZA EM ALTA

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

Ser gentil sempre foi importante, mas talvez nunca tenha sido tão importante como hoje.

Em um mundo em que o estresse parece seqüestrar a saúde e felicidade das pessoas um “bom dia!”, um sorriso ou um aperto de mão podem fazer muita diferença.

As habilidades interpessoais estão em alta e as empresas têm considerado pesadamente em seus processos de seleção as características comportamentais dos candidatos a uma vaga. Não basta ser tecnicamente competente, é preciso ser capaz de interagir construtivamente com uma equipe de trabalho, com clientes, fornecedores e assim por diante.

Peter Drucker escreveu: “As pessoas são contratadas por competência técnica, e são demitidas por incompetência emocional.”

As desculpas são variadas. Alguns alegam pressa e afirmam não ter tempo para gentilezas, outros se dizem francos ou sinceros e há ainda os que dizem que não são grosseiros, mas rigorosos.

Desculpas à parte, todos sabemos a diferença entre sinceridade e grosseria ou entre rigor e grosseria. A verdade é que sempre é possível ser educado e gentil, mesmo em situações de conflito.

Ao ser gentil com alguém você está alterando o estado emocional desta pessoa, elevando a sua autoestima e produzindo equilíbrio.

E se eu estiver de mau humor? – alguns perguntariam.

Finja que está bem! Ao fingir que está bem, você interfere no seu padrão emocional e passa a se sentir melhor. Este é um dos princípios que rege a comunicação entre corpo e cérebro. Ao plantar um sorriso no rosto, erguer a cabeça e ser agradável com as pessoas, seu cérebro recebe um recado: “Ora, este sujeito se comporta com se estivesse bem, então eu devo alterar a minha programação mental para: estar bem.”

E se as pessoas forem grosseiras comigo? – é outra pergunta freqüente.

Defenda-se, e com vigor, se necessário, mas, mantenha-se respeitoso e educado e lembre-se que o exemplo transforma.

Não é difícil ser gentil. Vamos a algumas idéias:

1. Ouça ! Este é o primeiro passo. Há uma crise de atenção. As pessoas não dão atenção aos outros porque não recebem atenção, e a coisa toda vira um círculo vicioso. Em alguns momentos você vai ter que “cortar” a conversa de alguém, mas isto pode ser feito com elegância e gentileza.

2. Sorria ! Esta simples atitude mexe com o seu cérebro e com os cérebros das pessoas à sua volta. Não fomos projetados para nos sentir mal quando estamos sorrindo e automaticamente a programação mental é alterada.

3. Cumprimente as pessoas e use o nome delas. O nome da pessoa é como música para ela.

4. Peça desculpas sempre que achar que errou e o mais rápido possível.

5. Não seja “folgado” e peça autorização das pessoas para usar alguma coisa ou um espaço que pertença a ela.

Existe muito mais do que isto no universo das relações humanas, mas estas cinco idéias já podem fazer muita diferença. Amigo leitor, felicidades e sucesso em suas relações!

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR.  conexao.consult@terra.com.br

FAÇA A SUA PARTE

FAÇA A SUA PARTE

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL GAZETA DO POVO EM 29.08.2004

FAÇA A SUA PARTE

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

Qual é a diferença entre participar de algo e estar engajado, realmente comprometido?

Podemos dizer que em uma refeição de ovos com bacon a galinha participa, mas o porco está engajado.

A despeito das pressões por maior desempenho e da escassez de vagas de trabalho, ainda há muitas pessoas pouco engajadas ou comprometidas com a sua atividade profissional.

Estas pessoas são vítimas de um círculo vicioso. Produzem pouco e com qualidade inferior ao que poderiam fazer sob a alegação de que a empresa lhes paga pouco. Por outro lado a empresa lhes paga pouco sob a alegação de que elas produzem pouco.

Não raramente o funcionário se preocupa que sua dedicação não seja recompensada e, portanto não se engaja no processo, vai fazendo o mínimo necessário para não ser demitido, o que é bastante perigoso, principalmente na conjuntura atual. Este sujeito empurra com a barriga e vai levando as coisas assim até que o patrão acorde e encontre alguém um pouco mais “antenado”.

Ninguém deve ter medo de que seu esforço não seja recompensado por pelo menos duas razões. A primeira delas, e a mais importante, é que é nossa obrigação nos dedicarmos e fazer um bom trabalho independente de qualquer reconhecimento ou recompensa. Invariavelmente pessoas dependem da qualidade de nosso trabalho, pessoas que não têm culpa se não somos suficientemente bem pagos ou reconhecidos.

A segunda razão é que o Universo é um lugar meritocrático, portanto relaxe, sua recompensa virá. Mas não trabalhe pensando nela, isto atrapalha.

Se o seu atual patrão não reconhece seu esforço não se preocupe, alguém reconhecerá, talvez o concorrente dele, talvez uma empresa em outro setor. Como eu disse antes o Universo é meritocrático e coerente, é um espelho e devolve a você aquilo que você oferece.

No entanto é preciso ter paciência. Salvo exceções, as recompensas por nossos esforços demoram a chegar. Alguns afoitos querem a recompensa antes do esforço. Como diz uma ex-colega minha “Não jogou e quer massagem”.

Seriedade, dedicação, responsabilidade, compromisso e paciência serão sempre recompensados.

É essencial para a segurança e a felicidade das pessoas que cada um faça a sua parte e faça bem feito, independente das circunstâncias adversas. Cabe a cada um de nós fazer o melhor que puder com os recursos que tem. Como disse Theodore Roosevelt “Faça o que pode, com o que tem, onde estiver”.

Se cada um fizer o seu trabalho um pouco melhor, sem nada esperar por isto, aos poucos vamos transformando o mundo em um lugar melhor, mais justo, mais limpo, mais rico, mais saudável, mais bonito.

O exemplo é o instrumento de comunicação mais poderoso do Universo. As pessoas vêem você trabalhando e mesmo que você não diga nada o seu exemplo frutifica, seja ele bom ou mau. Ao trabalhar comprometido com a qualidade daquilo que faz, você dá um poderoso exemplo e gera mudanças de comportamento nas pessoas à sua volta, mesmo que você não o perceba.

Há quase dois mil anos o grande filósofo e estadista romano Sêneca escreveu:

 

“Todos ao favorecerem os outros, favorecem a si mesmos; e não me refiro ao fato de que o socorrido quererá socorrer e o defendido proteger, ou de que o bom exemplo retorna, descrevendo um círculo, àquele que o dá – como os maus exemplos recaem sobre seus autores… – mas a que o valor de toda a virtude tem raízes nela mesma, uma vez que não é praticada com vistas ao prêmio: a recompensa da ação virtuosa é tê-la realizado”.

 

Amigo leitor, tão atuais há dois mil anos como hoje, as palavras de Sêneca nos lembram que a maior recompensa que podemos receber por um trabalho bem feito, é tê-lo realizado. Outras recompensas virão, é certo, mas não é nessas recompensas que devemos nos concentrar e sim na oportunidade que cada um de nós tem de tornar o mundo melhor através de um trabalho sério, dedicado e responsável.

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br

 

ESPECIALISTAS E GENERALISTAS

ESPECIALISTAS E GENERALISTAS

Artigo publicado no jornal O Estado do Paraná em 28.12.03

ESPECIALISTAS E GENERALISTAS

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

Isaac Newton, físico e matemático inglês (1643-1727), dominava boa parte da ciência desenvolvida até sua época e é considerado por muitos como o maior cientista de todos os tempos.

No entanto, se Newton vivesse hoje, e com todo respeito à sua genialidade, dificilmente ele conseguiria aprender uma milésima parte da ciência conhecida.

Uma das conseqüências do enorme volume e grande complexidade do conhecimento humano moderno, é que precisamos de especialistas. Diante da impossibilidade de dominar todo o conjunto do conhecimento temos que optar por uma parte dele e nos especializar.

Até aí tudo bem. A coisa, no entanto, se complica quando o especialista se concentra tanto naquele pequeno pedaço do Universo que perde a visão de conjunto.

Diz-se por aí que: “especialista é aquele que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, até que fica sabendo praticamente tudo sobre praticamente nada”.

Especialista é o sujeito que examina o mundo com um microscópio e descobre muita coisa interessante, mas como ele olha muito de perto acaba produzindo uma interpretação muito estreita da realidade.

É neste momento que entra a famosa interdisciplinaridade. É preciso trabalhar em equipe e, sobretudo, saber interagir de modo eficaz com os membros da equipe. É preciso consultar outras pessoas que tenham especialidades, paradigmas e visões diferentes da nossa.

Muitas organizações já passaram pelo clássico drama da chamada promoção para a incompetência, ou seja, você promove um excelente especialista para um cargo em que as habilidades generalistas são absolutamente indispensáveis, e é claro perde o funcionário.

Vamos exemplificar.

Diante do afastamento do presidente de uma empresa, os sócios decidem oferecer a vaga ao diretor financeiro, o Sr. B. Ele fazia um trabalho excepcional nas finanças e já provara competência e dedicação.

Algo errado?

Talvez.

Acontece que o Sr. B é muito mal preparado nas áreas de recursos humanos e marketing, por exemplo. Para completar a tragédia, ele tem desprezo por estas especialidades e as julga como questões de menor importância, recusando-se, portanto, a estudá-las e a valer-se, mesmo que temporariamente, da experiência dos especialistas destas áreas na organização.

O resultado é previsível.

Como a empresa não se faz apenas com uma boa administração financeira, as coisas começam a ir mal e antes que todo o barco afunde os sócios tem duas opções, que são, demiti-lo ou oferecer a ele o cargo anterior, o que via de regra ele não aceitará.

Saldo do erro: queda temporária nos resultados da empresa e a perda de um excelente diretor financeiro.

Posições de liderança devem ser ocupadas por generalistas, com uma ampla visão de conjunto e grande inteligência emocional, que lhes permita liderar eficazmente pessoas de especialidades muito diferentes.

É preciso esclarecer que as condições de especialista e generalista, não são, em hipótese alguma, mutuamente excludentes.

Alguém altamente especializado pode ter uma excelente visão de conjunto de uma atividade ou até, em termos mais amplos, do conhecimento e da experiência humanos.

Além de indispensável pré-requisito para a liderança, as habilidades generalistas são de grande valia, mesmo fora dos postos de comando. A visão de conjunto ou holística, permite àquele que a possui, perceber ameaças e oportunidades onde um especialista restrito nada vê.

Mas como construir uma visão ampla, holística, generalista?

O primeiro passo é desenvolver respeito por todas as áreas da atividade humana, da ciência à religião, passando pelas artes, esportes, negócios e até a política. Deve-se evitar preconceitos e valorizar todas as áreas de atividade do homem, evidentemente observando preceitos mínimos, como o respeito à vida e à liberdade responsável.

O segundo passo é desenvolver interesse por um amplo leque de conhecimentos e atividades. É preciso ser curioso, fazer perguntas, investigar, conhecer realidades diferentes daquelas a que estamos acostumados.

Livres de preconceitos, e munidos de legítimo interesse, o passo seguinte é interagir com as pessoas, ler, ler muito, e aproveitar as oportunidades de aprendizado que o Universo nos oferece. Tudo isto a nossa volta é uma enorme escola, para quem souber aproveitar.

Se você é médico cardiologista e, em uma viagem, sentou-se ao seu lado um comandante da marinha mercante, converse com ele sobre o seu trabalho, aprenda com ele, amplie sua visão de mundo, independente da “distante” relação que transporte naval possa ter com cardiologia.

Todos nós somos em maior ou menor grau, especialistas, mas temos que estar atentos para não fechar as portas de nossas mentes para outras realidades fora de nossa especialidade. Todos podemos ser, ao mesmo tempo, especialistas e generalistas.

Quero voltar a insistir na questão da leitura. Ler! Ler muito!

Não há substituto eficaz para a leitura e, em minha opinião, é muito difícil construir uma mente inteligente com pouca leitura. Portanto, leia!

Lembre-se, amigo leitor, o Mundo é uma grande escola e para o bom aluno ela tem muito a ensinar. Bom trabalho!

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br