Primeiro Capitulo do Livro

DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA

Alan Schlup Sant’Anna

2010
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Sant’Anna, Alan Schlup.
Disciplina: o caminho da vitória / Alan Schlup Sant’Anna. – 4. ed. – Curitiba, PR: Cócegas Editora, 2010.
224 p.; 13 x 21 cm.  ISBN 978-85-63499-01-1
1. Técnicas de autoajuda. 2. Sucesso. I. Título. CDD (22ª ed.) 158.1
Dados internacionais de catalogação. Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira

Para meus pais, professor José e professora Margot, por todas as lições e apoio.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos aqueles que contribuíram e contribuem para um mundo mais disciplinado. Que as suas ideias e os seus exemplos possam alcançar outros e construir uma sociedade melhor.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

Capítulo1
A CONTRADIÇÃO HUMANA

Capítulo 2
ORGANIZANDO SEUS AMBIENTES

Capítulo 3
TEMPO: O SAGRADO RECURSO

Capítulo 4
A DISCIPLINA DA EMOÇÃO

Capítulo 5
O UNIVERSO AMA A ATIVIDADE

Capítulo 6
ESTABELECENDO A ROTA

Capítulo 7
A RETOMADA

Capítulo 8
DISCIPLINA E LAZER

Capítulo 9
CUIDANDO DO TEMPLO: A RELAÇÃO ENTRE DISCIPLINA E SAÚDE

Capítulo 10
ABRINDO HORIZONTES

Capítulo 11
A ESTRUTURAÇÃO INTELIGENTE DO UNIVERSO

INTRODUÇÃO

“Por mais que na guerra se vença um ou mais inimigos, a maior vitória é sobre si mesmo.”

Sidarta Gautama (Buda)

É uma honra contar com a sua presença. Faço votos para que as ideias aqui apresentadas possam torná-lo ainda melhor do que você já é.
Vamos começar!
O que distinguia o exército romano das tribos bárbaras que ele enfrentava e vencia com impressionante facilidade?
O que diferencia uma organização bem-sucedida daquela que fracassa?
O que distingue a pessoa que vive de modo saudável daquela que adota um estilo de vida que a conduz à doença?
E quanto ao bom e ao mau estudante? O que os diferencia?
São muitos fatores, não há dúvida.
Mas há um deles, um único fator, presente em todas estas situações e capaz de virar o jogo; capaz de vencer guerras, construir sucesso, sustentar saúde, promover aprendizado, definir a vitória.
Sim! Tamanho é o poder desta força, que não nos seria permitido, como seres inteligentes, outra atitude frente a ela, que não lhe render a atenção que o seu significado estratégico exige.
É com o mais profundo respeito por este poder e por aqueles que o utilizam com inteligência, que respondo agora as perguntas com que iniciei este livro. O fator ou a força que distingue estas pessoas e organizações e define quem vence ou quem perde é o fator disciplina.
Quase todos admiram a disciplina onde a encontram, mas não nos basta admirá-la; mais que isto, temos que aprender a exercê-la.
Tão importante quanto saber o que fazer é saber como fazer e, sobretudo, fazer.
Se conseguir convencê-lo, meu amigo leitor, de que a disciplina pode mudar para sempre a sua vida, me caberá então a honrosa tarefa de lhe mostrar um caminho para construí-la, exercê-la e transformá-la em uma parte de você.
A disciplina, a que me refiro nesta obra, é aquela exercida com inteligência. Neste sentido se faz indispensável a atitude filosófica, ou seja, o constante questionamento.
Quando envolvidos em uma atividade, seja ela qual for, devemos exercitar um amplo questionamento antes, durante e após o processo, perguntando: É isto que devo fazer? É deste modo que deve ser feito? Este é o momento adequado para fazer? Por que estou fazendo isto? O que estou fazendo e o modo como estou fazendo, são éticos?
Outras perguntas podem e devem ser feitas. Quero enfatizar, no entanto, que não levantar estas questões nos coloca sob o risco de obter algo muito diferente daquilo que queríamos.
Alguém disciplinadamente trilhando a rota errada, chegará rapidamente aonde não quer; portanto, pergunte!
Tratarei nesta obra, em especial, da autodisciplina, deixando para outro momento a discussão sobre a disciplina orientada por uma fonte externa, que é, aliás, outra questão de extrema importância, em especial do ponto de vista das empresas, famílias, escolas e organizações em geral.
É natural a associação de disciplina com autoridade e, às vezes, a disciplina é erroneamente associada com autoritarismo, o que é, a meu ver, um erro de interpretação.
Algumas distorções surgiram nas últimas décadas, provavelmente como uma reação a regimes autoritários do passado e mesmo à antiga estrutura familiar patriarcal e muito rígida. É bastante compreensível que surgissem ideias e modelos no extremo oposto do autoritarismo. É compreensível, porém indesejável, e precisamos superar este momento. As posturas extremas raramente conduzem ao equilíbrio.
A que distorções me refiro? Ideias como: “nunca devemos dizer não a uma criança” ou “é proibido proibir” ou ainda “hierarquia é uma bobagem”. Estas são ideias que comprometem o processo de construção da disciplina e precisam ser revistas, em benefício da eficiência, do sucesso, do equilíbrio e da felicidade das pessoas.
Felizmente um número crescente de empresas, governos e famílias vêm gradativamente resgatando os conceitos de autoridade, hierarquia e disciplina em uma estrutura mais moderna em que a ética nas relações, a democracia e a gestão participativa estão presentes.
Fazendo uma análise rápida, poderíamos definir três fases: um primeiro momento de autoritarismo em que o respeito e a ética ficam seriamente comprometidos; uma segunda fase em que muitos se lançam ao outro extremo, ou seja, das liberdades sem responsabilidade e todas as suas graves consequências e finalmente, um terceiro momento de busca pelo equilíbrio nas relações, equilíbrio este, em que se construa uma sintonia entre ética, respeito, liberdade e ao mesmo tempo, disciplina, hierarquia e autoridade.
É claro que, dentro deste modelo, encontraríamos hoje famílias, empresas ou governos nas três fases, mas acredito que a evolução é unidirecional e que caminhamos todos para a terceira fase. Esta fase, como qualquer situação de equilíbrio, é dinâmica, requer constante vigilância e representa um desafio perpétuo, mas traz resultados impressionantes.
Exercida com inteligência e sob o crivo da ética, a disciplina é um poderoso instrumento de construção de riqueza, equilíbrio e sucesso para as organizações e para as pessoas.
Acho importante, aqui, explicar por que considero a evolução unidirecional, ou seja, avançando sempre na direção de algo melhor. Alguém poderia dizer: – Mas uma família, empresa ou governo não pode sofrer um retrocesso e tornar-se menos equilibrada, justa ou ética?
Claro que sim! No entanto, acredito que se trate de dar um passo para trás para então dar dois ou mais para frente. O retrocesso, quando ocorre, pode ser muito doloroso, penso, porém, que no médio e no longo prazo a trajetória aponta sempre na direção de algo superior. O ser humano pode ser teimoso e pode até retardar muito o seu aprendizado, se assim o desejar, mas ele efetivamente aprenderá.
Mas disciplina e liberdade, não seriam caminhos antagônicos?
Não! De forma alguma, não!
A propósito, são grandes aliados e velhos amigos.
Vamos tentar entender um pouco melhor o que é esta força mágica que pode tornar nossas vidas tão melhores. Se a disciplina não limita a liberdade, o que ela faz então?
Ela aumenta a nossa liberdade!
Do que a disciplina nos liberta?
Vamos a alguns exemplos.
A disciplina dos protocolos de construção, manutenção e operação de aeronaves nos liberta do acidente ou da queda do avião. Quantas aeronaves caíram porque os protocolos não foram disciplinadamente seguidos?
A disciplina nos liberta da doença se consumimos alimentos saudáveis, evitando os excessos de carne e gorduras, disciplinadamente nos exercitamos, disciplinadamente dormimos pelo tempo suficiente, nos mantemos longe das drogas de abuso e controlamos os intoxicantes padrões emocionais da ira, medo ou depressão.
A disciplina nos liberta da ignorância, se disciplinadamente estudamos e aprendemos dentro e fora das escolas.
A disciplina nos liberta da pobreza, se disciplinadamente trabalhamos sempre buscando o aprimoramento profissional; nos liberta ainda da dor, se disciplinadamente resistimos às paixões e fraquezas que afastam nosso comportamento dos nossos próprios valores. Sim! A disciplina nos liberta do acidente, da doença, da ignorância, da pobreza, da incoerência e da dor. Estes, sim, são os algozes, que limitam nossa liberdade e nos acorrentam a uma condição inferior àquilo que de fato podemos ser.
A disciplina nos liberta e nos faz maiores!
Mas o que é disciplina afinal? Como defini-la?
Ela não deve ser apenas entendida, mas também sentida.
Disciplina, no sentido em que a aplico neste livro, é a capacidade de:
Estudar, se acreditamos que o estudo nos fará melhores.
Recusar um alimento, se acreditamos que ele nos fará mal.
Permanecer em silêncio, se acreditamos que esta é a melhor opção no momento.
Rejeitar uma proposta que agrida nossos princípios éticos, mesmo que muito dinheiro esteja envolvido.
Manter a calma e respeitar nossos valores, mesmo que estejamos submetidos a grandes pressões.
Trabalhar, aprender, construir.
Viver de modo coerente com nossas próprias crenças e convicções e tantos outros exemplos possíveis.

Grande parte do poder da disciplina deriva do fato de que ela aumenta nosso leque de opções a médio e longo prazo. É bem verdade que em curto prazo, o efeito pode ser inverso. Tomemos um exemplo.
Na véspera de uma importante prova, um estudante indisciplinado tem um leque de opções bem maior do que um estudante disciplinado, uma vez que o indisciplinado pode estudar ou jogar futebol ou ainda passear no shopping ou fazer qualquer outra coisa que a sua indisciplina permita. Já o estudante disciplinado se limitará a opção de estudar.
Ao analisarmos, porém, as consequências destas duas posturas distintas, provavelmente chegaremos à conclusão de que a médio e longo prazos o aluno indisciplinado está restringindo o seu leque de opções ao comprometer seu desempenho acadêmico, talvez sua carreira e mesmo sua renda futura, ao passo que nosso caro estudante disciplinado estará fazendo exatamente o oposto e assim construindo um futuro de mais opções.
Um dos objetivos desta obra é aumentar o seu leque de opções. Quero lembrar que uma das mais importantes leis da cibernética, a ciência do controle, nos diz: “O elemento que tem mais opções, controla o sistema”.
Um computador controla a impressora porque tem mais opções que a impressora, assim como o motorista controla o carro porque ele, como um ser humano, é uma estrutura extraordinariamente mais complexa que o carro e com um leque de opções muito maior.
Ao aumentar nossas opções, a disciplina nos fortalece.
Por isto, amigo leitor, se você deseja mais controle sobre a sua vida, busque apoio nesta força poderosa e transformadora, a disciplina, pois ela tem muito a fazer por nós.

Alan Schlup Sant’Anna

CAPÍTULO 1

A CONTRADIÇÃO HUMANA

“Educação é mudança de comportamento.”

Leocádio José Correia

– O que devo fazer para tirar notas altas em Química? – perguntou, angustiada, a jovem de apenas treze anos, segurando a prova em suas mãos.
– Por que você me pergunta? Você sabe o que fazer! – respondi, em um tom áspero.
Isto é parte do diálogo que tive com uma aluna da oitava série do ensino fundamental há muitos anos.
Ela havia recebido nota dois para uma prova de valor dez e, nervosa, me procurou perguntando o que deveria fazer. Foi então que perguntei por que ela me perguntava o que já sabia.
Ela logo entendeu o que eu estava tentando dizer e respondeu corretamente à pergunta que fiz em seguida.
– Você é que vai me dizer o que deve fazer para tirar notas altas!
Então ela disse – Ah! Eu devo prestar atenção à aula.
– O que mais? – perguntei.
Ela respondeu – Eu devo fazer os exercícios, perguntar quando não entender e estudar com antecedência.
– Muito bem! – respondi enfaticamente – Agora que você sabe o que fazer, sente-se e faça! O seu problema não é que você não sabe o que fazer, e sim que você não faz o que sabe! – completei.
Não são raras, muito pelo contrário, são bastante comuns, as situações em que as pessoas sofrem, não 20 porque não sabem como evitar um problema ou como resolvê-lo, mas porque não usam aquilo que elas mesmas já sabem.
Há uma distância grande entre acreditar em uma ideia ou princípio e viver de acordo com esta ideia, ou entre saber algo e usar este conhecimento.
Do que estamos falando?
De coerência, a capacidade de viver de acordo com nossas próprias crenças, conhecimentos e convicções.
Costumo dizer que a maioria de nós é suficientemente competente para saber o que fazer na maior parte das situações, e plenamente capaz de gerenciar de modo muito eficiente e equilibrado nossas vidas, bastando para tanto que reduzíssemos a contradição e passássemos a usar o que já sabemos, ou seja, usar a nossa própria sabedoria interna.
Vejamos outro exemplo.
Quase todos têm uma noção, ao menos razoável, do que é uma dieta saudável. A maioria dos estudantes sabe exatamente o que fazer para aprender os conteúdos e a maior parte dos adultos sabe bastante bem o que fazer para minimizar os riscos de acidentes. No entanto, estes parecem desafios mal resolvidos para um número enorme de indivíduos.
Quantos de nós sofremos por ceder a pressões e agir de modo diferente de nossos princípios.
É lógico que existem situações em que as pessoas sofrem porque simplesmente não sabem o que fazer, mas esta não é a regra e sim a exceção. A regra em nossa espécie tem sido não usar o que sabemos.
Não hesito em dizer que a segunda maior causa de sofrimento em nossa espécie é a contradição humana, ou seja, acreditar em uma coisa e fazer outra. Você acha que deveria fazer exercícios, mas não faz.
Acredita quer deveria ler mais, mas não lê.
Acha que deveria levantar-se cedo, mas dorme até tarde.
O comportamento contraditório produzido pela indisciplina é fonte de grande sofrimento, pois mantém você permanentemente insatisfeito consigo mesmo.
Qual é o remédio?
Comportamento coerente! Comportamento este resultante da construção de disciplina pessoal, ou seja, da capacidade de fazer aquilo em que você mesmo acredita.
Mas como construir disciplina?
Grande parte do processo passa pela corajosa repetição dos comportamentos que queremos adotar.
Ao repetir muitas vezes um comportamento difícil para nós, como por exemplo, estudar, ele tende a se tornar natural, menos doloroso ou até prazeroso.
A repetição altera nossos padrões físicos, mentais e emocionais.
Mas até que a nova conduta tenha sido incorporada, será preciso lidar com algum nível de desconforto.
Então disciplina dói?
Sim, afinal você pode ter vontade de passear na praia, mas ter que trabalhar em determinado momento.
Vale lembrar, no entanto, que aquele que não quiser fazer contato com a dor da disciplina, cedo ou tarde fará contato com a dor do arrependimento. Salvo exceções, a segunda é maior.
A notícia boa é que, com a repetição, o tempo e o fortalecimento de sua mente, a dor desaparece e o comportamento coerente e disciplinado fica, com todas as suas vantagens. Mas sim, é preciso corajosamente enfrentar alguma dor para construir disciplina.
Vale a pena?
Sim! Minha experiência diz que sim.
Lembremo-nos ainda das sábias palavras do norte americano T. Harv Eker que escreveu: “Se você estiver disposto a fazer apenas o que é fácil, a vida será difícil. Mas se você estiver disposto a fazer o que é difícil, a vida será fácil”.
Ah claro! Você quer saber qual é a primeira causa de sofrimento em nossa honrada espécie.
A primeira causa de dor para nós é um velho e ardiloso inimigo: o medo. É um adversário que se manifesta de muitas formas como: ansiedade, pânico ou timidez.
Depois do medo, o que mais nos traz dor é a contradição.
Um dos objetivos deste livro é reduzir a contradição, fazendo-nos mais coerentes e, portanto, mais fortes.
Antes de prosseguir, quero fazer uma análise muito importante para esta discussão. Vamos avaliar, em quatro etapas, como pode evoluir um novo conhecimento na mente de uma pessoa.

As fases do conhecimento

Nossa evolução em relação a um determinado conhecimento pode ser dividida em quatro fases ou etapas.
Fase um: você não sabe e não sabe que não sabe, ou seja, ignorância total e completa. É o que ocorre com uma criança brasileira de dois anos que não sabe falar dinamarquês e não sabe que não sabe isto, afinal, ela não sabe sequer que este idioma existe.
Fase dois: você não sabe, mas sabe que não sabe. É a situação do ignorante consciente. Eu, por exemplo, não sei falar dinamarquês, mas sei que não sei isto, por que pelo menos eu sei que esta língua existe. É uma fase superior a anterior.
Fase três: você sabe. Agora você fala dinamarquês. Meus parabéns! Isto irá ajudá-lo?
Não necessariamente, a não ser que você evolua para a fase quatro.
Quem chegou à fase três, neste exemplo, pode ter conhecimento do idioma, mas não fala, paralisado que é, pela timidez.
Fase quatro: você transforma o que sabe em mudança de comportamento. O que, em nosso exemplo, significa usar o conhecimento que você tem desta língua, em seu favor.
Vamos tomar um exemplo mais dramático.
Agora o conhecimento em questão será profilaxia para a AIDS, ou seja, o conjunto de medidas que permite prevenir esta doença.
Acredita-se que nos anos cinquenta a AIDS já existisse. Nesta época, as pessoas estavam na fase um: elas não sabiam como se proteger da infecção e não sabiam que não sabiam isto, porque sequer sabiam da existência da doença. A AIDS só foi identificada pelos cientistas em 1981. Então elas não sabiam se proteger e não sabiam que não sabiam.
Mais tarde, as pessoas começaram a receber notícias sobre uma doença contagiosa causadora de uma síndrome de imunodeficiência, mas muitos ainda não sabiam como se prevenir. Estes indivíduos estavam, então, na fase dois. Eles sabiam que não sabiam como se proteger. Esta fase é superior à primeira, porque estimula a pessoa a buscar o conhecimento, neste caso, vital à sobrevivência.
Ao informar-se sobre as formas de se proteger, como o uso de preservativos e outros meios, as pessoas ingressam na fase três. Agora, elas sabem e está tudo bem. Certo?
Errado!
Estas pessoas estão protegidas?
Ainda não!
A indispensável fase quatro é a transformação do conhecimento adquirido em mudança de conduta; o exercício daquilo que se sabe. Pouco vai adiantar saber como se proteger, se você não usar o que sabe.
Há alguns anos ouvi em uma palestra o pensamento com que abro este capítulo: “Educação é mudança de comportamento”. Este pensamento modificou de modo profundo minha visão sobre a educação em geral e sobre a minha própria educação.
Você explica a um adolescente porque o uso do preservativo é indispensável para a sua segurança. Ele ouve atentamente, e compreende os motivos, no entanto continua a não utilizá-lo.
Podemos dizer que este jovem foi educado no que diz respeito ao uso de preservativos?
Naturalmente, não.
Enquanto o conhecimento não é incorporado como uma mudança em nosso comportamento, não podemos nos dizer educados sob determinada questão.
O desafio que se apresenta é que a transformação de conhecimento em mudança de comportamento, frequentemente requer disciplina. A disciplina é, portanto, um instrumento para reduzir a contradição.
Lembre-se: O conhecimento só se torna útil quando aplicado. É inútil saber o que fazer, se você não faz!
Reflita sobre seu atual comportamento, tanto em relação à saúde, como no trabalho ou estudo e também nas relações com as pessoas. Identifique em cada caso o que o impede de agir de acordo com o que você acredita, então se esforce por sintonizar crença e ação.
O primeiro passo é monitorar a si mesmo, observar-se e refletir.
O autoconhecimento é essencial para a evolução e deriva da observação e reflexão sobre si mesmo.
O segundo passo é definir metas e fazer ajustes de modo a sintonizar ação ou comportamento com crenças e conhecimentos.
Se você acredita que deve estudar Inglês, faça-o ou terá de lidar continuamente com um conflito interno, uma espécie de curto circuito que, pior do que apenas desperdiçar energia, utiliza a sua própria energia para danificar o seu corpo e mente.
Para eliminar os conflitos internos é preciso reduzir a contradição, o que se faz pela construção de disciplina.
Aquele que conseguir reduzir a contradição e, portanto, aumentar a coerência, estará dando um passo importantíssimo no domínio de si mesmo.
Passo a passo localize dissonâncias entre seus valores, conhecimentos ou crenças e seu comportamento, e então, utilizando-se da sua inteligência, energia e coragem, tome as medidas necessárias para sintonizar ação e pensamento e para viver de acordo com aquilo em que você mesmo acredita.
Os resultados podem ser impressionantes.
Força e equilíbrio!

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