TRABALHO E RESPONSABILIDADE

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL GAZETA DO POVO EM 18.03.2008

 

TRABALHO E RESPONSABILIDADE

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

Há duas posições extremas em relação ao trabalho. De um lado, temos o preguiçoso contumaz, que acha que o mundo é um parque de diversões; de outro, temos o viciado em trabalho ou workaholic, como dizem os norte-americanos.

Ora, nenhuma das duas posições é positiva. O preguiçoso é um inútil não serve para nada e representa um peso para os demais. Pode até ser simpático, o que é muito bom, mas continua sendo um peso.

O viciado em trabalho, por outro lado, é uma figura interessantíssima. Ele é uma lâmpada de 110 volts ligada em 220, ou seja, brilha muito, mas queima logo. Acaba morrendo de infarto cedo e, antes de partir, compromete, por repetida ausência, a relação com a família. É preciso encontrar o equilíbrio.

Vale lembrar, porém, que este equilíbrio aponta mais na direção do trabalho que do descanso. Não queremos pessoas viciadas, mas é preciso trabalhar sim e trabalhar muito.

Os workaholics não me preocupam tanto. Eles são poucos. Já quanto aos preguiçosos a situação é gravíssima. Estão por toda a parte e infelizmente, alguns deles ocupam posições importantes na política. Até porque no Brasil “simpatia” ainda rende mais votos que trabalho.

Alguns de nossos “lideres” são exemplos de indolência e descaso com o sagrado valor do trabalho.

É preciso resgatar o valor trabalho numa sociedade em que não raramente as pessoas dizem querer ganhar na loteria e nunca mais labutar. É uma ingenuidade muito grande. Feliz e inútil são condições mutuamente excludentes. Ser útil é condição necessária ao equilíbrio e à felicidade.

Trabalho é, antes de mais nada, oportunidade. Oportunidade de crescimento pessoal. Oportunidade de servir ao seu irmão. Oportunidade de evoluir!

O que quer que você faça, faça-o com dedicação, responsabilidade e alegria. Faça bem feito! E se você não gostar de sua atividade profissional, pode aprender a gostar dela ou então mudar de atividade. Salvo exceções, ambos são possíveis.

Não se economize tanto! Você não se desgasta pela atividade como ocorre com um automóvel. Somos muito mais que máquinas! Na realidade, quanto mais trabalhamos, melhores nos tornamos.

Evidentemente se você estiver exausto precisa de repouso, mas há muita gente, por aí, querendo descansar antes de cansar-se. O nome disto é preguiça e trata-se de um dos caminhos mais rápidos para a infelicidade.

O trabalho não é apenas um meio de atender nossas necessidades financeiras, ele é acima de tudo um dever moral.

Em um mundo em que tantos precisam de ajuda, é nosso dever trabalhar, gerar riquezas, criar oportunidades e promover desenvolvimento.

Não tenha qualquer preocupação em não ser recompensado. O Universo é coerente e todos aqueles que com seriedade trabalham, recebem o seu prêmio.

A recompensa nem sempre virá tão rápido quanto gostaríamos, e nem sempre virá do lugar, pessoa ou empresa de que a esperávamos, mas inevitavelmente virá. Portanto não se economize e faça a sua parte. Trabalhe com alegria e dedicação, ajudando a resgatar e fortalecer uma cultura de valorização do trabalho, porque é disto que precisamos!

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br