CURIOSIDADE: UMA VIRTUDE.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O ESTADO DO PARANÁ EM 14.09.03

 

CURIOSIDADE: UMA VIRTUDE.

 

Alan Schlup Sant’Anna

 

O garoto tem cinco anos de idade, aponta para um equipamento de ar condicionado e pergunta: – Pai, o que é isto?

O pai orgulhoso e satisfeito responde: – É um aparelho de ar condicionado, meu filho, serve para manter a sala na temperatura que escolhemos.

Até aí tudo bem. A curiosidade do menino foi satisfeita. Mas o que ocorre quando o garoto pergunta a seus pais algo cuja resposta os pais não sabem? Algo que ele ouviu na TV, como: – Pai, o que é fusão nuclear?

Neste momento é acionada uma armadilha emocional pela qual o menino pagará mais caro que seu pai.

Ao ser questionado sobre algo que desconhece, imediatamente o pai pensa: “Que vergonha! Eu não sei o que é isto! O que meu filho vai pensar de mim?“

Uma das saídas mais comuns é a resposta: – Esquece meu filho. Isto é bobagem!

A criança ouve centenas de vezes, senão milhares, da boca de alguém em quem ela confia, que isto, aquilo e aquele outro negócio são todos bobagens. Acontece que não eram bobagens! Mas a criança acaba acreditando.

Os pais não fazem isto por mal, mas o resultado pode ser bem ruim, ou seja, uma criança e um futuro adulto que foi ensinado a não fazer perguntas e o que é pior, que muitas vezes acabou acreditando que metade do Universo é um depósito de bobagens. Temos então uma pessoa desinteressada e pouco curiosa.

A curiosidade é uma virtude e um diferencial profissional. Evidentemente estou falando da curiosidade exercida com equilíbrio em que estejam embutidos parâmetros mínimos de respeito e segurança.

Não me refiro à curiosidade em sua face mais desequilibrada, de perguntas como: – É verdade que você tem um caso com a fulana?  Quanto você ganha por mês?

A propósito, permita-me o leitor ensinar uma técnica para lidar com as pessoas que desrespeitosamente perguntam o que não devem.

Quando isto acontecer, olhe bem para os olhos da pessoa, faça uma pequena pausa, um ou dois segundos, e então pergunte a ela: – Por que você quer saber isto?

O autor da pergunta inconveniente, a menos que seja um caso muito grave, ficará constrangido, sem saber o que responder e provavelmente não lhe fará mais perguntas desta natureza. O objetivo da pausa é gerar expectativa, é uma técnica de comunicação.

A mente inteligente é naturalmente curiosa, quer saber como as coisas funcionam, para que serve isto ou aquilo e porque as coisas são assim ou assado. O curioso aprende mais.

As crianças são naturalmente curiosas. Temos que ser cautelosos para não enfraquecer este padrão. Quando não souber algo, responda sem qualquer constrangimento que não sabe e busque a resposta.

Muitos profissionais se beneficiariam do resgate de sua curiosidade.

É preciso construir e fortalecer uma atitude de curiosidade e fascinação em relação ao Universo. A propósito esta é uma das estruturas comportamentais da Programação Neurolingüística, um modelo de comunicação surgido nos anos 70 e que tem muito a nos oferecer.

Sim, uma atitude de curiosidade e fascinação em relação ao Universo, em relação à vida!

O mundo é um lugar muito interessante, mais que isto, fascinante, para quem souber explorá-lo. As possibilidades de aprendizado são infinitas, basta captura-las.

Sempre sob o crivo do respeito, do bom senso e da segurança: pergunte, investigue, pesquise! Pergunte às pessoas sobre o trabalho delas, abra o seu leque de interesses.

Respeite as dúvidas dos outros. Jamais ria, zombe ou faça pouco caso de uma pergunta e seja duro com aqueles que não respeitarem as suas dúvidas.

Quantos erros foram cometidos, quanto dinheiro já foi perdido e até quantas pessoas já morreram porque as perguntas certas não foram feitas antes que fosse tarde?

Quantos trabalhadores têm medo de fazer perguntas a seu chefe que costuma responde-las com desrespeito e grosserias, insinuando que o funcionário é um imbecil?

Tolo é, na verdade, aquele que não se mostra acessível à pergunta e não a responde com respeito.

Quem pergunta mais, sabe mais! Quem responde mais, ensina mais!

Pergunte sempre e responda com respeito e precisão ajudando a fazer um mundo em que as pessoas sabem mais! Bom trabalho!

 

Alan Sant’Anna é escritor, palestrante e consultor, autor dos livros: DISCIPLINA O CAMINHO DA VITÓRIA, TEMPO E SUCESSO e EQUILÍBRIO PARA UMA VIDA MELHOR. conexão.consult@terra.com.br